{"id":101,"date":"2013-06-17T15:13:19","date_gmt":"2013-06-17T15:13:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.esep.pt\/jconline\/?p=101"},"modified":"2016-10-24T16:04:42","modified_gmt":"2016-10-24T16:04:42","slug":"portalegre-dos-pequenitos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jconline.ipportalegre.pt\/index.php\/2013\/06\/17\/portalegre-dos-pequenitos\/","title":{"rendered":"Portalegre dos pequenitos"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"104\" data-permalink=\"https:\/\/jconline.ipportalegre.pt\/index.php\/2013\/06\/17\/portalegre-dos-pequenitos\/portalegre-dos-pequeninos\/\" data-orig-file=\"https:\/\/jconline.ipportalegre.pt\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Portalegre-dos-pequeninos.jpg\" data-orig-size=\"1200,732\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"Portalegre dos pequeninos\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/jconline.ipportalegre.pt\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Portalegre-dos-pequeninos-1024x625.jpg\" class=\"size-medium wp-image-104 alignleft\" src=\"http:\/\/www.esep.pt\/jconline\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Portalegre-dos-pequeninos-300x183.jpg\" alt=\"Portalegre dos pequeninos\" width=\"300\" height=\"183\" srcset=\"https:\/\/jconline.ipportalegre.pt\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Portalegre-dos-pequeninos-300x183.jpg 300w, https:\/\/jconline.ipportalegre.pt\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Portalegre-dos-pequeninos-768x468.jpg 768w, https:\/\/jconline.ipportalegre.pt\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Portalegre-dos-pequeninos-1024x625.jpg 1024w, https:\/\/jconline.ipportalegre.pt\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Portalegre-dos-pequeninos.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Era j\u00e1 fim da tarde, e a In\u00eas brincava. O Jardim da Corredoura, imenso na sua longitude, era dela. Dela, e dos demais que por l\u00e1 passavam. Alguns gatos-pingados. Vinham respirar o ar de natureza da cidade, outros gastavam o tempo at\u00e9 que as m\u00e3es os chamassem para jantar e p\u00f4r a mesa, e depois aqueles que observavam tudo isto com um olhar enternecedor e nost\u00e1lgico.<br \/>\nCom apenas oito anos, In\u00eas diz que \u201ch\u00e1 muitas crian\u00e7as em Portalegre\u201d e que os parques infantis s\u00e3o \u201cmuito giros\u201d. Mas o que \u00e9 ser crian\u00e7a em Portalegre? Boquiaberto ficaria qualquer um, ao receber t\u00e3o calorosa e convicta resposta: \u201cs\u00e3o crian\u00e7as mais felizes e mais livres. Brincam mais e t\u00eam mais liga\u00e7\u00e3o \u00e0 natureza, ao campo e aos animais\u201d.<br \/>\nOs baloi\u00e7os da In\u00eas n\u00e3o agradam de todo ao Jo\u00e3o. Tem dez anos e prefere brincar na escola. \u00c9 l\u00e1 que tem os seus amigos.<br \/>\nN\u00e3o estando para grandes conversas, e bastante atarefado, o Jo\u00e3o guardava delicadamente os seus patins em linha na mochila. E a cidade tem bons espa\u00e7os para andar de patins e skate? Na sua descontra\u00e7\u00e3o, em misto de timidez, responde com o familiar \u201cmais ou menos\u201d, apontando para o largo da C\u00e2mara Municipal, onde tinha acabado de dar uso aos patins.<br \/>\n\u201cQuanto aos parques, Portalegre n\u00e3o tem s\u00edtio para as crian\u00e7as ou jovens fazerem desportos radicais. O \u00fanico s\u00edtio bom para se andar de patins ou skate \u00e9 em frente \u00e0 C\u00e2mara Municipal. N\u00e3o h\u00e1 nada, nada, nada\u201d, conta Sara Gon\u00e7alves, a respons\u00e1vel pelos amiguinhos que brincavam no jardim, depois da escola.<br \/>\nAntiga aluna da Escola Superior de Educa\u00e7\u00e3o, Sara vive em Portalegre h\u00e1 cerca de dez anos e entende n\u00e3o haver as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para criar uma crian\u00e7a nas ruas de Portalegre. Os jardins s\u00e3o poucos e os que existem s\u00e3o o Tarro e a Corredoura. Ambos t\u00eam parques infantis, mas tudo isto \u00e9 t\u00e3o pouco comparado ao que uma crian\u00e7a ambiciona para ser feliz. Portalegre est\u00e1 em falta para com as suas crian\u00e7as.<\/p>\n<p><strong>O lago dos barcos a remos<\/strong><\/p>\n<p>Tinha patos e o homem transportava-os de barco, lago adentro. Eram crian\u00e7as felizes na antiga Corredoura. H\u00e1 quase setenta primaveras atr\u00e1s.<br \/>\nA Dona Marta da Fonseca \u2013 como \u00e9 conhecida \u2013 tem uma amizade de longa data com a Corredoura. Viveu ali, cresceu e brincou muito. Foi feliz. Perdeu uns belos tost\u00f5es para o homenzinho do barco, mas foram bem empregues nos passeios das \u00e1guas de tempos \u00e1ureos.<br \/>\nDedicada ao ensino, a Dona Marta sempre disse que as crian\u00e7as \u201cprecisam ter liberdade para poderem fazer aquilo que forem capazes\u201d e sempre quis \u201censinar aquilo que eu via que eles precisavam saber\u201d, revelava com um brilhozinho nos seus olhos azuis-claros e profundos.<br \/>\nAs brincadeiras eram ali, no Jardim da Corredoura, que \u201cn\u00e3o era nada disto\u201d, estendendo os bra\u00e7os deixando a contemplar o retrato.<br \/>\n\u201cJuntava-se aqui toda a gente e n\u00e3o havia discrimina\u00e7\u00e3o entre classes sociais, e era um aglomerado\u201d. Havia conv\u00edvio entre as gentes do tanque das lavadeiras, com o homem do barco e com quem mais l\u00e1 fosse passar o tempo, levar as crian\u00e7as a passear ou lavar a roupa da trouxa.<br \/>\nA inf\u00e2ncia em Portalegre desses tempos era muito mais ligada \u00e0 natureza, havia liga\u00e7\u00e3o de proximidade, respeito e tradi\u00e7\u00e3o. Atualmente, a Dona Marta entristece-se porque j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 nada disso. \u201cAs pessoas agora vivem para algo que nem elas pr\u00f3prias sabem\u201d.<br \/>\nTal como a In\u00eas, o Jo\u00e3o e a Sandra, a Dona Marta considera que as crian\u00e7as desta nova Portalegre s\u00e3o felizes. \u201cMas n\u00e3o \u00e9 a mesma felicidade, n\u00e3o \u00e9 a mesma ess\u00eancia que eu tinha, pois enquanto crian\u00e7a eu sonhava com aquilo que queria e, dentro do poss\u00edvel, punha em pr\u00e1tica\u201d.<br \/>\nNesta cidade do Norte Alentejano vive-se o habitual infantic\u00eddio que sangra no pa\u00eds envelhecido. Mas a genuinidade e o sorriso de uma crian\u00e7a conseguir\u00e1 abrilhantar e colocar de p\u00e9 esta sociedade revestida de ex-crian\u00e7as, e j\u00e1 dizia a Dona Marta: \u201cTu n\u00e3o queres destruir o passado, mas queres que o presente tenha mais alguma coisa para dar a quem c\u00e1 est\u00e1\u201d.<br \/>\nQue venham as crian\u00e7as.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Autor: Joana R. Santos<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era j\u00e1 fim da tarde, e a In\u00eas brincava. O Jardim da Corredoura, imenso na sua longitude, era dela. Dela, e dos demais que por l\u00e1 passavam. Alguns gatos-pingados. 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