{"id":2601,"date":"2021-01-22T14:46:06","date_gmt":"2021-01-22T14:46:06","guid":{"rendered":"http:\/\/jconline.esep.pt\/?p=2601"},"modified":"2021-01-22T14:56:22","modified_gmt":"2021-01-22T14:56:22","slug":"mas-afinal-as-jornalistas-percebem-de-futebol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jconline.ipportalegre.pt\/index.php\/2021\/01\/22\/mas-afinal-as-jornalistas-percebem-de-futebol\/","title":{"rendered":"Mas afinal, as jornalistas percebem de futebol?"},"content":{"rendered":"\n<p>O futebol \u00e9 um desporto muito popular em Portugal e que desperta os sentimentos que h\u00e1 de melhor e de pior nas pessoas. Talvez por isso, o jornalismo em torno deste desporto seja t\u00e3o escrutinado pelos adeptos que compram jornais, seguem os jogos na r\u00e1dio, veem programas com comentadores e desabafam sobre artigos online.<\/p>\n<p>Na teoria, t\u00eam que ser homens na linha da frente porque, como s\u00e3o homens, percebem de futebol, certo? Errado. Nem todos gostam ou percebem de futebol. Verdade! H\u00e1 homens que n\u00e3o fazem ideia quando \u00e9 \u201ccanto\u201d, o que \u00e9 um \u201cfora-de-jogo\u201d e um \u201cpontap\u00e9 de bicicleta\u201d, ou para quem um \u201cfrango\u201d \u00e9 para o almo\u00e7o e um \u201cchap\u00e9u\u201d n\u00e3o passa de algo para p\u00f4r na cabe\u00e7a ou proteger da chuva.<\/p>\n<p>(Perdoem-me por esta \u201centrada a p\u00e9s juntos\u201d.)<\/p>\n<p>Sabe-se que, historicamente em Portugal, as mulheres eram afastadas do desporto em geral e por isso \u00e9 natural que o interesse simplesmente n\u00e3o existisse. Pouco a pouco foram come\u00e7ando a singrar nas \u00e1reas que anteriormente eram tidas como totalmente masculinas e afirmando-se gra\u00e7as em empenho em mostrar que n\u00e3o eram, de todo, o chamado \u201csexo fraco\u201d. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, as mulheres estiveram mesmo em maioria nos cursos de jornalismo em Portugal, mas aquele desinteresse anterior \u00e9 revelador quando falamos na quantidade que segue a especializa\u00e7\u00e3o em desporto. Ainda assim, s\u00e3o cada vez mais.<\/p>\n<p>Mas afinal, as mulheres podem ser jornalistas especializadas em futebol? Claro que sim! O futebol \u00e9 uma tem\u00e1tica como outra qualquer.<\/p>\n<p>No in\u00edcio do ano de 2020, soaram alarmes quando da China chegavam not\u00edcias de uma nova doen\u00e7a, altamente contagiosa e que ningu\u00e9m conhecia. Face a esta nova condi\u00e7\u00e3o, a classe m\u00e9dica entrou em polvorosa e come\u00e7ou a estudar este v\u00edrus e as formas de transmiss\u00e3o. As not\u00edcias espalharam-se pelo mundo atrav\u00e9s de meios de comunica\u00e7\u00e3o social que, sem saber bem do que se tratava, foi passando a informa\u00e7\u00e3o de acordo com o progresso desta doen\u00e7a por todos desconhecida. Os jornalistas n\u00e3o s\u00e3o m\u00e9dicos, mas foram aprendendo, com o tempo, os padr\u00f5es desta doen\u00e7a mortal e foram partilhando toda a informa\u00e7\u00e3o sobre este assunto espec\u00edfico. Aprenderam. Adaptaram-se.<\/p>\n<p>Com o futebol \u00e9 igual. O jornalista deve investir tempo a ver muitas horas de jogo seja de futebol de topo ou amador, estudar esquemas t\u00e1ticos, reconhecer jogadores, treinadores e restante equipa t\u00e9cnica e estar a par das constantes altera\u00e7\u00f5es \u00e0s regras. Precisa estudar, como para qualquer outra \u00e1rea.<\/p>\n<p>Longe v\u00e3o os tempos em que os programas de futebol na televis\u00e3o eram apresentados por senhoras, tentando garantir mais audi\u00eancia face \u00e0 concorr\u00eancia, mas em que o papel era apenas o de aparecer como \u201cuma cara bonita\u201d. Com o tempo elas aprenderam, estudaram, especializaram-se e surgiram com mais responsabilidades. Come\u00e7aram a fazer hist\u00f3ria por apresentar programas, mas com um papel mais interventivo, comentam jogos em canais especializados, tornaram-se rep\u00f3rteres de campo em jogos da I Liga, tornaram-se narradoras de jogos da principal Liga de futebol masculino e alcan\u00e7aram tanto que, em 2021 estes acontecimentos continuam a ser dignos de registo. Tamb\u00e9m em 2021 e face a estas not\u00edcias que celebram os feitos das mulheres no jornalismo especializado em futebol continuam a existir coment\u00e1rios machistas de quem considera que uma pessoa de determinado sexo n\u00e3o \u00e9 capaz de fazer algo para o qual estudou e em que se especializou.<\/p>\n<p>Para se ser bom n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 preciso tirar o curso de jornalismo. \u00c9 preciso especializar-se em determinada \u00e1rea e continuar a estudar. Neste caso, s\u00f3 precisa disso e de ser apaixonado pelo futebol, seja homem ou mulher.<\/p>\n<p>Autor: Liliana P\u00eago (Mestre em Jornalismo, Comunica\u00e7\u00e3o e Cultura, autora de uma tese sobre mulheres jornalistas no desporto)<\/p>\n<p>Ver tamb\u00e9m: <a href=\"http:\/\/jconline.esep.pt\/index.php\/2021\/01\/22\/jornalismo-desportivo-no-feminino\/\">Jornalismo desportivo no feminino<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mas afinal, as mulheres podem ser jornalistas especializadas em futebol? Claro que sim! 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