{"id":2603,"date":"2021-01-22T14:49:53","date_gmt":"2021-01-22T14:49:53","guid":{"rendered":"http:\/\/jconline.esep.pt\/?p=2603"},"modified":"2021-01-22T14:50:02","modified_gmt":"2021-01-22T14:50:02","slug":"vamos-falar-sobre-igualdade-de-genero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jconline.ipportalegre.pt\/index.php\/2021\/01\/22\/vamos-falar-sobre-igualdade-de-genero\/","title":{"rendered":"Vamos falar sobre igualdade de g\u00e9nero?"},"content":{"rendered":"\n<p>O tema da igualdade de g\u00e9nero est\u00e1 a ganhar for\u00e7a na nossa sociedade. De facto, vivemos num mundo cada vez mais \u201cl\u00edquido\u201d (Bauman, 2007) diverso e global, que deveria ser tamb\u00e9m, necessariamente, mais igualit\u00e1rio e respeitador dos direitos humanos fundamentais. Ou seja, como vivenciamos muitas mudan\u00e7as \u00e9 importante desconstruir os estere\u00f3tipos de g\u00e9nero e debater a cristaliza\u00e7\u00e3o dos pap\u00e9is.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Portugal, na sequ\u00eancia do 25 de Abril, foi instaurada a democracia que tentou terminar com a desigualdade constitucional que limitava a participa\u00e7\u00e3o p\u00fablica feminina. &nbsp;Ultrapassadas as quest\u00f5es legais \u00e9 necess\u00e1rio contornar as convic\u00e7\u00f5es sociais que, atrav\u00e9s de h\u00e1bitos e pr\u00e1ticas, condicionam \u00e0 necessidade de aceita\u00e7\u00e3o da voz feminina no espa\u00e7o p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>De facto, a igualdade \u00e9 um t\u00f3pico que diz respeito a todos os g\u00e9neros e deve ser debatido nas escolas, universidades e polit\u00e9cnicos.&nbsp; Assim, entendemos que o jornalismo escolar, como o <em>JC online<\/em>, tem a obriga\u00e7\u00e3o de abordar a problem\u00e1tica. Afinal, ainda vivemos num mundo desigual, encoberto por uma \u201cviol\u00eancia simb\u00f3lica\u201d (Bourdieu,2005) onde as atitudes de discrimina\u00e7\u00e3o s\u00e3o perpetuadas diariamente, de tal forma que fazem parte do nosso quotidiano.<\/p>\n\n\n\n<p>Os exemplos s\u00e3o m\u00faltiplos. Desde crian\u00e7as come\u00e7amos a construir um mundo bin\u00e1rio azul e rosa e esquecemos que a constru\u00e7\u00e3o do g\u00e9nero \u00e9 social e apreendida.&nbsp; Este mundo dual condiciona escolhas e oportunidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres, muitas situa\u00e7\u00f5es de desigualdade est\u00e3o camufladas. Veja-se o caso das campanhas de publicidade que continuam a apostar na representa\u00e7\u00e3o da figura do corpo feminino como um objeto, ou a sobrecarga que muitas t\u00eam na distribui\u00e7\u00e3o de tarefas em casa. As <a href=\"https:\/\/www.pordata.pt\/Portugal\/Remunera%c3%a7%c3%a3o+base+m%c3%a9dia+mensal+dos+trabalhadores+por+conta+de+outrem+total+e+por+sexo-367\">disparidades salariais<\/a> s\u00e3o uma realidade e \u00e9 comum constatar que muitos n\u00e3o sabem lidar com a presen\u00e7a feminina nas posi\u00e7\u00f5es de chefia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda nos deparamos com mentalidades arcaicas: &nbsp;jovens que julgam que \u00e9 melhor suportar um namoro violento a n\u00e3o ter namorado\u2026 &nbsp;&nbsp;Muitos, at\u00e9 hoje, n\u00e3o dominam conceitos fundamentais como o que \u00e9 consentimento sexual. Observamos situa\u00e7\u00f5es onde os jovens homossexuais ou transexuais v\u00eam os seus direitos violentados e t\u00eam de se esconder, o que gera aterrorizadoras implica\u00e7\u00f5es para a sua autoestima. No mundo virtual, os casos de viol\u00eancia de g\u00e9nero prosperam entre intimida\u00e7\u00f5es e <em>cyberbullying<\/em>. Isso sem falar de temas como o abuso sexual ou o feminic\u00eddio. Por tudo isso \u00e9 urgente a aceita\u00e7\u00e3o e toler\u00e2ncia do diferente, tanto de cor de pele como de orienta\u00e7\u00e3o e identidade sexual.<\/p>\n\n\n\n<p>Enfim, o tema marca a nossa atualidade e \u00e9, no fundo, uma quest\u00e3o de direitos humanos. Logo, diz respeito a todos n\u00f3s. Lembremo-nos ainda que a miss\u00e3o do <em>JC online<\/em> deve ser contribuir para a concretiza\u00e7\u00e3o da igualdade sem reproduzir estere\u00f3tipos nem sensacionalismos. Acreditamos que a igualdade de g\u00e9nero deve ser trabalhada nos m\u00e9dia sistematicamente (e n\u00e3o apenas pontualmente) de forma a fomentar o debate e para proporcionar ferramentas de a\u00e7\u00e3o.&nbsp; Afinal, \u00e9 importante discutir o que n\u00e3o pode ser silenciado.<\/p>\n\n\n\n<p>Bauman, Z. (2007) <em>Tempos l\u00edquidos<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.<\/p>\n\n\n\n<p>Bourdieu, P. (2005) <em>A domina\u00e7\u00e3o masculina<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Maria Helena Kuhner. 4 ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Autor: Adriana Guimar\u00e3es (Professora do curso de Jornalismo e Comunica\u00e7\u00e3o).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De facto, a igualdade \u00e9 um t\u00f3pico que diz respeito a todos os g\u00e9neros e deve ser debatido nas escolas, universidades e polit\u00e9cnicos.  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