{"id":6329,"date":"2026-04-16T10:58:02","date_gmt":"2026-04-16T10:58:02","guid":{"rendered":"https:\/\/jconline.ipportalegre.pt\/?p=6329"},"modified":"2026-04-02T10:59:12","modified_gmt":"2026-04-02T10:59:12","slug":"como-resistir-a-erosao-do-tempo-na-principal-rua-de-portalegre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jconline.ipportalegre.pt\/index.php\/2026\/04\/16\/como-resistir-a-erosao-do-tempo-na-principal-rua-de-portalegre\/","title":{"rendered":"Como resistir \u00e0 eros\u00e3o do tempo na principal rua de Portalegre"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\"><div style=\"font-style:italic;font-weight:700;\" class=\"wp-block-post-excerpt\"><p class=\"wp-block-post-excerpt__excerpt\">A Rua do Com\u00e9rcio j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa. J\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 o burburinho de outros tempos. H\u00e1 menos propriet\u00e1rios, porque h\u00e1 menos clientes. Mas, entre lojas fechadas, uma porta continua aberta h\u00e1 65 anos. <\/p><\/div>\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p>Altino Val\u00e9rio Baptista trabalha h\u00e1 65 anos na mesma loja de retrosaria na Rua do Com\u00e9rcio, em Portalegre. A sua hist\u00f3ria confunde-se com a da pr\u00f3pria cidade, marcada pela desertifica\u00e7\u00e3o do centro hist\u00f3rico, pelo envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o e pelo decl\u00ednio do com\u00e9rcio tradicional que outrora fez desta rua o cora\u00e7\u00e3o econ\u00f3mico e social da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A Rua do Com\u00e9rcio est\u00e1 aberta, mas quase vazia. As montras sucedem-se em sil\u00eancio e o som mais presente \u00e9 o dos pr\u00f3prios passos de quem passa. Dentro de uma das lojas mais antigas da rua, atr\u00e1s de um balc\u00e3o marcado pelo tempo, est\u00e1 o senhor Altino Val\u00e9rio Baptista. H\u00e1 65 anos que abre esta porta todos os dias.<\/p>\n\n\n\n<p>Altino Batista nasceu em maio de 1941 na freguesia da Urra. Chegou a Portalegre ainda jovem, para trabalhar como caixeiro numa mercearia. Foi nesta loja, na Rua do Com\u00e9rcio, que acabou por fixar a sua vida. \u201cVim para aqui como caixeiro. Tinha estado c\u00e1 noutra casa em Portalegre tamb\u00e9m, numa mercearia. Depois fui daqui para uma loja para a minha terra, para a Urra, onde estive cinco anos. Estou nesta casa desde 1960. Fui aqui empregado e agora sou patr\u00e3o de mim mesmo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A loja que inicialmente pertencia ao seu patr\u00e3o, passou a ser sua depois de muitos riscos e trabalho \u00e1rduo. \u201cN\u00e3o estou arrependido, mas foi muito trabalho. Na altura, a exist\u00eancia era inferior \u00e0quilo que se devia. Tive que trabalhar, tive que fazer muita gin\u00e1stica e felizmente hoje o que tenho aqui est\u00e1 pago.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de todos estes anos, Altino Batista n\u00e3o est\u00e1 arrependido da sua escolha \u201cN\u00e3o estou arrependido, mas foi muito trabalho. O que tenho destes sessenta e tal anos de trabalho \u00e9 isto. N\u00e3o tenho pr\u00e9dios, mas tenho um carro. \u00c9 o que ficou.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A Rua do Com\u00e9rcio era outra. \u201cTrabalhava-se aos s\u00e1bados at\u00e9 \u00e0s nove da noite. Entre as sete e as nove era praticamente outro dia de trabalho. Havia alfaiates e costureiras. As pessoas sa\u00edam do trabalho e vinham \u00e0s lojas. Esta rua era quase toda com\u00e9rcio.\u201d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-block-embed-spotify wp-embed-aspect-21-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Spotify Embed: Como resistir \u00e0 eros\u00e3o do tempo na principal rua de Portalegre - Audio 1 Altino Baptista\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/7LVrrmNxEqBXtjiZ77lUHD?si=GO6cTODdSKWm-vhwqsShzg&amp;utm_source=oembed\"><\/iframe>\n<\/div><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>Altino Baptista<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Vasco Vasconcelos, comerciante vizinho, refor\u00e7ou o impacto desta mudan\u00e7a. A loja que hoje dirige pertenceu aos seus sogros e j\u00e1 est\u00e1 na fam\u00edlia h\u00e1 mais de 60 anos. Ele observou que nas \u00faltimas d\u00e9cadas, o com\u00e9rcio local foi-se tornando cada vez mais dif\u00edcil de sustentar. Para o comerciante, a aus\u00eancia de moradores no centro hist\u00f3rico faz com que muitos potenciais clientes n\u00e3o passem pela rua. \u201cAs pessoas n\u00e3o querem saber. Fechou, fechou. Est\u00e1 a andar e pronto. Agora n\u00e3o mora ningu\u00e9m\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-block-embed-spotify wp-embed-aspect-21-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Spotify Embed: Como resistir \u00e0 eros\u00e3o do tempo na principal rua de Portalegre - Audio 2 Vasco Vasconcelos\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/7r1cXp5BG5NnYTRB778nsZ?si=ewEE_Hc3S9i3_vpL1j_yeg&amp;utm_source=oembed\"><\/iframe>\n<\/div><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>Vasco Vasconcelos<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Orlando Povoas, que nasceu e cresceu em Portalegre, ofereceu outra perspetiva: a cidade perdeu o h\u00e1bito de valorizar o com\u00e9rcio tradicional. Ele lembra como na sua juventude a Rua do Com\u00e9rcio era uma rua viva e movimentada com lojas abertas e clientes a circular diariamente. \u201cPor mais vontade com que a pessoa esteja atr\u00e1s do balc\u00e3o, se n\u00e3o houver clientes, n\u00e3o d\u00e1. Era bom que houvesse din\u00e2micas, incentivos, mesmo no ver\u00e3o, para as pessoas sa\u00edrem de casa. Isso podia trazer vida \u00e0 cidade e ao com\u00e9rcio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-block-embed-spotify wp-embed-aspect-21-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Spotify Embed: Como resistir \u00e0 eros\u00e3o do tempo na principal rua de Portalegre - Audio 3 Orlando Povoas\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/5UBK1hD6BA09A408maL9OG?si=UsjWCASRTta82fAFJ8Sd8A&amp;utm_source=oembed\"><\/iframe>\n<\/div><figcaption class=\"wp-element-caption\">Orlando Povoas<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A realidade demogr\u00e1fica do concelho \u00e9 clara. Segundo os Censos de 2021, a popula\u00e7\u00e3o de Portalegre diminuiu para cerca de 22.369 habitantes, uma queda de 10,3% em rela\u00e7\u00e3o a 2011, quando eram 24.930. Desde ent\u00e3o, a tend\u00eancia manteve-se: estimativas de 2024 apontam para 21.754 residentes, o que confirma que a cidade continua a perder pessoas de forma persistente. Altino Batista sente na pele os efeitos desta realidade: menos gente na rua significa menos clientes, menos movimento, menos vida para os neg\u00f3cios que sustentam a cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A loja do Altino Batista n\u00e3o \u00e9 apenas antiga pelo tempo que ele l\u00e1 passou. \u00c9 antiga pela pr\u00f3pria hist\u00f3ria das paredes que a sustentam. Pelos vest\u00edgios que ainda restam e percebe-se que ali j\u00e1 se vendeu muito mais do que tecidos ou retrosaria. \u201cIsto d\u00e1 a ideia que, em tempos, foi uma loja que vendia de tudo desde salsicharia ao vinho, papelaria. Vendia-se aqui de tudo, com certeza.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Durante as obras feitas ao longo dos anos, Altino Batista descobriu marcas dessa mem\u00f3ria escondida. Atr\u00e1s da loja, encontrou grandes potes de barro soterrados no ch\u00e3o. \u201cDisseram-me que aquilo era para a conserva\u00e7\u00e3o das carnes, do toucinho, dos enchidos. Naquela \u00e9poca n\u00e3o havia c\u00e2maras frigor\u00edficas e aquilo servia para conservar as carnes de porco.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O comerciante n\u00e3o tem d\u00favidas quanto \u00e0 idade do espa\u00e7o. \u201cEsta loja tem mais de 100 anos. De certeza. Quando fiz aqui uma obra, deitei muita coisa fora que hoje tenho pena de n\u00e3o ter guardado.\u201d Entre o que se perdeu estavam livros de faturas antigas, documentos e registos que poderiam hoje contar a evolu\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os e dos h\u00e1bitos de consumo ao longo de um s\u00e9culo. \u201cGostava de confrontar aqueles pre\u00e7os com os de agora\u201d, confessou.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o propriet\u00e1rio, essa mem\u00f3ria coletiva est\u00e1 a desaparecer. \u201cN\u00e3o h\u00e1 placas, nem fotografias vis\u00edveis, nem registos acess\u00edveis a quem passa. \u00c0s vezes tenho pena de certas hist\u00f3rias n\u00e3o se repetirem por a\u00ed adiante para as pessoas conhecerem como foi isto ou foi aquilo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de tantos anos a trabalhar, disse que sente orgulho na confian\u00e7a que foi constru\u00edda ao longo do tempo com os clientes e que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o comum em outros neg\u00f3cios \u201cSinto que, felizmente, ainda h\u00e1 clientes, amigo, pessoas que confiam naquilo que eu digo e isso d\u00e1-me um certo orgulho. \u00c9 bom quando pensam vamos l\u00e1 ao Altino. Para mim, \u00e9 isso que importa: servir bem, orientar, ajudar quem procura.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, Altino Batista continua ali. Enquanto fala, dobra tecidos, arruma e desarruma prateleiras, interrompe o trabalho quando entra um cliente. \u201cO nosso trabalho \u00e9 desarrumar quando vem o cliente e arrumar quando o cliente vai embora\u201d. \u00c9 um gesto simples repetido milhares de vezes que resume d\u00e9cadas de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Altino Batista sabe que, um dia, a loja poder\u00e1 fechar ou passar para outras m\u00e3os, mas enquanto houver movimento, enquanto houver pessoas interessadas em ouvir, aprender e comprar, ele afirmou que continuar\u00e1 ali.<\/p>\n\n\n\n<p>O comerciante observou as mudan\u00e7as daquela rua de perto. \u201cEstou aqui h\u00e1 65 anos, vi tudo mudar, lojas fecharem, a rua a esvaziar, os clientes a irem-se embora. Mas ainda tenho a minha rotina, ainda recebo pessoas, ainda converso, ainda fa\u00e7o o meu trabalho com orgulho\u201d, contou. Para ele, cada dia \u00e9 uma oportunidade de manter viva a hist\u00f3ria de um com\u00e9rcio que foi o cora\u00e7\u00e3o de Portalegre.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-block-embed-spotify wp-embed-aspect-21-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Spotify Embed: Como resistir \u00e0 eros\u00e3o do tempo na principal rua de Portalegre - Audio 4 Altino Baptista\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/6ZYIPpGDk1TyDQYg2qGd43?si=1blwvelgSZe6OHTlFT7heQ&amp;utm_source=oembed\"><\/iframe>\n<\/div><figcaption class=\"wp-element-caption\">Altino Batista<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A sua hist\u00f3ria \u00e9 tamb\u00e9m a da pr\u00f3pria cidade: marcada por desafios demogr\u00e1ficos, por transforma\u00e7\u00f5es no com\u00e9rcio e pela luta di\u00e1ria para manter viva a vida no centro hist\u00f3rico. Enquanto o senhor Altino estiver na sua loja, a rua nunca estar\u00e1 completamente silenciosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Autora: F\u00e1tima Djal\u00f3<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Rua do Com\u00e9rcio j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa. J\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 o burburinho de outros tempos. H\u00e1 menos propriet\u00e1rios, porque h\u00e1 menos clientes. Mas, entre lojas fechadas, uma porta continua aberta h\u00e1 65 anos.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6330,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[14],"tags":[1366,1493,572],"class_list":["post-6329","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-local","tag-autor-fatima-djalo","tag-identidade-historica","tag-rua-do-comercio"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/jconline.ipportalegre.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Como-resistir-a-erosao-do-tempo-na-principal-rua-de-Portalegre.jpg","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p81ada-1E5","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jconline.ipportalegre.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6329","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jconline.ipportalegre.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jconline.ipportalegre.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jconline.ipportalegre.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jconline.ipportalegre.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6329"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/jconline.ipportalegre.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6329\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6332,"href":"https:\/\/jconline.ipportalegre.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6329\/revisions\/6332"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jconline.ipportalegre.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6330"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jconline.ipportalegre.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6329"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jconline.ipportalegre.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6329"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jconline.ipportalegre.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6329"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}