Museu da Tapeçaria acolhe a exposição Alguém Passa Cartão

O Museu da Tapeçaria de Portalegre – Guy Fino inaugurou a exposição Alguém Passa Cartão, que reúne 45 cartões selecionados de um concurso internacional, promovido pela Câmara Municipal e apoiado pela Manufactura de Tapeçarias de Portalegre, com financiamento do Turismo de Portugal.

A nova exposição Alguém Passa Cartão nasce de uma candidatura que desafiou artistas a criarem cartões para tapeçaria, um legado profundamente ligado à identidade cultural do concelho de Portalegre. O nome da exposição remete para os projetos iniciais, designados de cartões de tapeçaria, que não se referem a cartões físicos, mas sim às peças em fase de projeto inicial antes de serem transformadas em obras de grande formato. De acordo com a responsável entrevistada, Paula Fernandes, a iniciativa começou com um concurso aberto a nível nacional e internacional, do qual foram inicialmente selecionados 20 artistas: “Foi realmente um desafio convidar artistas para fazer novos cartões para tapeçaria. Estão ali 45 cartões e foram selecionados de quase 60 artistas apenas 20.”

Posteriormente, o júri composto por Magda Cordas, Maria Leal da Costa, Paula Fernandes, Vera Barradas e Vera Fino, escolheram os 45 cartões agora expostos no museu. Paula Fernandes recorda: “Houve inicialmente um júri de candidatura, depois selecionamos 20 artistas e após essa seleção houve um júri em que foram selecionados então dos 20 artistas os 45 cartões integrados agora na exposição.”

Trata-se da primeira vez que esta exposição é realizada, marcando um momento simbólico para o Museu da Tapeçaria de Portalegre – Guy Fino, instituição que já é considerada um polo cultural de grande relevância na região. A curadoria ficou a cargo de Rita Maia Gomes, contando ainda com a parceria estreita da Manufactura de Tapeçarias de Portalegre, entidade que reforça a ligação entre a tradição têxtil e a criação artística contemporânea, um aspeto que, segundo Paula Fernandes, é importante para o projeto.

Foram ainda atribuídos vários prémios que reconhecem a qualidade e originalidade dos trabalhos apresentados. Entre as obras premiadas, a série abstrata apresentada por João Concha conquistou o 1.º Prémio. Já o 2.º Prémio foi atribuído a Valerie Landauer, autor da obra Minúsculos. O 3.º Prémio foi conquistado pela artista Beatriz Santa-Rita, distinguida por um conjunto de três composições de forte expressão geométrica e figurativa. Por sua vez, o 4.º Prémio destacou a artista Conceição Abreu e por fim, Stefanie Pullin arrecadou o 5.º Prémio. Inês Pargana também se destacou entre os premiados, ao receber uma menção honrosa por parte do público.

Segundo Inês Pargana, participar nas Tapeçarias de Portalegre foi um momento muito especial: “As Tapeçarias de Portalegre têm um peso enorme na história da arte portuguesa e fazem parte do nosso património artístico e cultural de uma forma muito especial.” A artista destaca ainda o privilégio de ser uma das finalistas do concurso: “Ter o meu nome associado à manufactura, sendo uma das finalistas selecionadas, já era por si só uma grande honra.” Acerca da presença no museu, Inês Pargana afirmou que “esta exposição é especial porque acontece num espaço tão emblemático como o Museu da Tapeçaria de Portalegre”.

A receção do público tem sido positiva, com muitos visitantes a demonstrarem curiosidade sobre os cinco primeiros prémios atribuídos no concurso e sobre a possibilidade de alguns dos cartões virem a ser produzidos em tapeçaria. Sobre isso, Paula Fernandes afirmou que “o público gosta muito e perguntam-nos quais foram os primeiros prémios e também se vão dar origem à tapeçaria”. Segundo a responsável, essa possibilidade está prevista, mas depende de financiamento adicional: “Se houver financiamento, claro que teremos muito gosto, porque o objetivo era esse, que o primeiro prémio desse origem à tapeçaria.”

A exposição, para além do seu valor artístico, contribui de forma significativa para a promoção de Portalegre e do seu património, uma vez que a participação de artistas nacionais e internacionais aumenta a visibilidade do museu e reforça a identidade local. Como sublinha Paula Fernandes: “Esta exposição é extremamente importante, fala-se de Portalegre, fala-se da tapeçaria de Portalegre e fala-se do museu”. Os prémios atribuídos representam igualmente um incentivo relevante para o percurso dos artistas, oferecendo-lhes maior visibilidade, prestígio e valorização curricular.

Com portas abertas até ao final de 2025, Alguém Passa Cartão promete continuar a atrair visitantes e a fortalecer a relação entre tradição, inovação e expressão artística na cidade de Portalegre.

Autora: Ana Pinto

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