Debate na ESECS destaca os desafios e os caminhos da investigação académica

O auditório encheu-se de vozes e experiências distintas, mas com um ponto em comum, a vontade de compreender e pensar criticamente os rumos e a metodologia da investigação. Foi nesse espírito que a Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Politécnico de Portalegre (ESECS) juntou alunos da licenciatura em Jornalismo e Comunicação e mestrandos de diferentes áreas.

O primeiro painel da noite contou com as intervenções de Carla Aguiã, jornalista da Rádio Portalegre e mestre em Média e Sociedade, e de Giulia Goldoni, igualmente mestre pelo mesmo programa, bem como da atual mestranda Maria José Quarenta. A estas participações juntou-se, em formato remoto, o professor Wellington Teixeira Lisboa, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, no Brasil.

Num segundo momento, moderado pela professora Marta Noronha, o técnico da ESECS Joaquim Marchão integrou também a sessão, partilhando orientações práticas sobre pesquisa documental e apresentando as ferramentas disponibilizadas pelo centro documental do Politécnico.

Carla Aguiã, que regressou ao Politécnico de Portalegre duas décadas após concluir a licenciatura, apresentou o percurso da sua dissertação dedicada à transição digital dos jornais locais. A jornalista sublinhou as dificuldades encontradas ao longo da investigação e destacou que “mesmo em 2025, muitos órgãos regionais ainda enfrentam obstáculos significativos para a digitalização plena das redações e das rotinas de trabalho”.

Refletindo sobre o processo de construção da sua dissertação, Maria José Quarenta salienta a importância da comunicação institucional no contexto académico. Já Giulia Goldoni partilhou a experiência de concluir o mestrado em apenas um ano. A sua investigação analisa a representação das mulheres no Instagram e em duas telenovelas, uma brasileira e outra portuguesa, articulando os trabalhos desenvolvidos ao longo do curso como base para a dissertação.

O professor Wellington Teixeira Lisboa abordou a evolução da comunicação tradicional para a digital, destacando as novas dinâmicas entre emissores e recetores e a crescente fluidez das fronteiras comunicacionais nas plataformas online.

Por sua vez, Joaquim Marchão, amplamente reconhecido pelos estudantes pelo apoio prestado ao longo dos seus percursos académicos, esclareceu dúvidas sobre ferramentas de pesquisa. Reforçou ainda a importância do acesso qualificado à informação na produção científica, sublinhando como a digitalização dos acervos facilita o acesso a documentos e artigos de múltiplos autores.

O encontro terminou com uma reflexão conjunta sobre o papel central da pergunta de partida enquanto eixo orientador de qualquer investigação científica, destacando a sua relevância para o desenvolvimento de futuros projetos de mestrado.

 

Autores: André Lucrécio e Joana Cardoso

Fotografias: João Neves e José Neves

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