Jornadas da Comunicação celebram 30 anos com olhar no passado e foco na inovação

Mais do que celebrar, esta edição procura contar a história das jornadas e projetar o futuro do jornalismo.


A trigésima edição das Jornadas da Comunicação arrancou esta terça-feira, 24 de março, Dia Nacional do Estudante, pelas 10 horas, no auditório Abílio Amiguinho da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (ESECS), em Portalegre. O espaço foi destacado pelo diretor do Politécnico de Portalegre, João Emílio Alves, como “o auditório mais bonito do Politécnico”.

Sob o tema “Diversidade e Representação no jornalismo e na comunicação”, a iniciativa promete, ao longo da sua programação, fomentar o debate, a partilha de ideias e a aprendizagem em torno de questões atuais e relevantes para o setor.

A sessão de abertura iniciou-se com a exibição de um vídeo que reuniu testemunhos de alunos e docentes, respondendo à questão “o que representam as Jornadas da Comunicação?”. Entre as ideias destacadas estiveram a entreajuda, a reflexão académica, a singularidade da experiência, o reforço da motivação estudantil e o reconhecimento de três décadas de esforço coletivo, sublinhando que o projeto “faz parte dos estudantes presentes e dos que já passaram”.

Seguiu-se a intervenção do presidente das jornadas, André Lucrécio, marcada por um tom emotivo. O estudante dirigiu palavras de agradecimento à equipa organizadora e apelou à continuidade do projeto. No último ano da licenciatura em Jornalismo e Comunicação, despediu-se com gratidão e evocando as memórias construídas ao longo do percurso académico.

A professora Adriana Melo Guimarães, coordenadora da licenciatura de jornalismo e comunicação, reforçou a importância do evento enquanto espaço de “aprendizagem e inspiração”, manifestando o desejo de que as reflexões partilhadas ultrapassem os limites da instituição.

Na sua intervenção, João Emílio Alves saudou os participantes e destacou a longevidade da iniciativa, afirmando que “30 anos não é para todos”. Elogiou ainda a comissão organizadora, composta por André Lucrécio, Denisa Barbu, Ruben Bastos e Luísa Guerra, salientando o papel destes estudantes na concretização do evento.

Para o diretor, “a reflexão crítica e a partilha de saber cruzam-se para a produção de conhecimento”, sendo as jornadas uma “marca anual” da instituição e da região, funcionando também como uma “ponte com o domínio profissional” nas áreas do jornalismo e da comunicação.

A sessão contou ainda com a intervenção de Fernando Rebola, vice-presidente do Politécnico de Portalegre, que expressou o “gosto em regressar a casa” visto que lecionou na instituição durante muitos anos. Dirigiu cumprimentos à comunidade académica, destacou o papel de liderança de André Lucrécio e deu as boas-vindas aos estudantes do Instituto Politécnico de Tomar, nomeadamente da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes, presentes no evento.

O momento de abertura ficou ainda marcado pela atuação da tuna académica Papasmisto, que celebrou o seu 32.º aniversário com uma apresentação animada. O grupo interpretou temas originais como “Estudante” e “O Capote”, bem como “Passeio pela Cidade”, da autoria de Dona Maria Soares. O espetáculo encerrou com “Nosso Hino Popopo”, dedicado à comunidade estudantil.

O presidente das Jornadas da Comunicação destacou que a 30.ª edição se diferencia pelo seu carácter comemorativo e reflexivo, centrado numa retrospetiva histórica: “o que difere das outras será mesmo o contar de todos estes 30 anos”. Recordando o início em 1996, sublinhou a evolução até à atualidade, marcada pelo digital: “hoje o meio digital é a coisa mais adquirida de sempre”.

Relativamente à escolha dos temas, explicou que a organização procura garantir atualidade através da análise de “artigos” e “notícias” recentes, apostando em convidados ligados ao presente do setor. Ainda assim, salientou a importância do equilíbrio geracional: “tentamos trazer sempre pessoas novas, com ideias inovadoras”, sem esquecer de “fazer essa ponte” com profissionais mais experientes.

No que toca à organização, identificou como principal desafio a gestão de uma equipa numerosa e a pressão associada à data simbólica: “acabamos por tentar que seja tudo perfeito” e, por vezes, “complicamos o que não é complicado”.

Entre as memórias mais marcantes, recordou um episódio do seu primeiro ano, quando ficou sem convidados horas antes de um debate. A solução surgiu rapidamente: “em duas horas tínhamos três pessoas ali sentadas”. Para André Lucrécio, foi “a magia do jornalismo a funcionar”, transformando um momento de crise numa experiência inesquecível.

Autores: Francisca do Carmo Coimbra, Dinis Carmona, Rafael Moreno e Isabel Allen

 

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