Workshop “A Voz” de locução aproxima estudantes da realidade da rádio

A voz constrói-se com técnica, consciência e prática, é através dela que se cria ligação com o público.


Locução, confiança e projeção de voz marcaram a tarde da 30.ª edição das Jornadas da Comunicação no workshop “A Voz”, orientado por Miguel Van der Kellen,  que reuniu alunos e docentes numa sessão dinâmica que combinou explicação teórica com exercícios práticos, centrados no desenvolvimento de competências essenciais à comunicação vocal, particularmente no contexto da rádio.

O dinamizador começou por apresentar o seu percurso profissional, que teve início na dobragem de personagens para séries e animações como Octonautas e H2O, passando depois pela rádio e televisão, áreas onde também tem desenvolvido diversos workshops.

A sessão iniciou-se com a abordagem à respiração, destacada como um elemento essencial na produção vocal. “Onde passa ar, passa voz”, afirmou, sublinhando que “a respiração é o principal mecanismo biológico na produção da voz”. Ao longo da explicação, evidenciou a importância da respiração diafragmática para alcançar qualidade e controlo na voz.

A componente prática surgiu de seguida, com exercícios de respiração orientados por Miguel. Com o apoio da direção das Jornadas da Comunicação constituída por Luísa Guerra, Ruben Bastos, Denisa Barbu e André Lucrécio foram distribuídos balões ao público. Em pé, alunos e docentes praticaram a respiração antes de encherem os balões, num momento marcado pela interação e descontração.

Na segunda parte da sessão, centrada no trabalho da voz, Miguel Van der Kellen aprofundou os principais elementos que contribuem para uma comunicação eficaz, destacando quatro aspetos fundamentais: a dicção, a velocidade, a expressividade da fala e a altura e intensidade vocal. Ao longo da explicação, sublinhou que estes fatores devem ser trabalhados de forma consciente e articulada, uma vez que influenciam diretamente a clareza da mensagem e a forma como esta é percecionada pelo público. O formador enfatizou ainda que a colocação da voz desempenha um papel determinante na criação de empatia com o ouvinte, explicando que diferentes contextos exigem diferentes abordagens vocais, nomeadamente ao distinguir a voz utilizada na rádio, que é mais íntima e próxima, da voz projetada no teatro, que exige maior amplitude e projeção para alcançar toda a audiência.

O workshop incluiu também um exercício de articulação com um trava-línguas que envolveu ativamente o público. Nesse desafio Miguel convidou o presidente das Jornadas, André Lucrécio, e a colaboradora Vitorina Madeira a dizerem a frase: “Em cima daquele morro tem uma arara loura. A arara loura fala. Fala, arara loura”. O momento, marcado pela dificuldade e rapidez exigidas na articulação, gerou várias gargalhadas entre os participantes, reforçando o carácter dinâmico e descontraído da sessão.

Após mais um momento marcado pelo humor e envolvimento, Miguel Van der Kellen desafiou o público a participar ativamente, convidando alguns alunos a juntarem-se a ele no palco. Sete voluntários responderam ao apelo, demonstrando entusiasmo, e tiveram a oportunidade de treinar a dicção e a projeção vocal através da leitura de textos apresentados no monitor, aplicando, perante o restante público, as técnicas exploradas ao longo do workshop.

Em conversa com um dos participantes do workshop, o aluno de JC Eduardo Panaça do primeiro ano sublinhou que a magia da rádio foi contagiante e que é capaz de ajudar no futuro profissional.

Por outro lado, Miguel Van der Kellen realçou a importância da voz “Para mim, ter uma boa voz não é o suficiente, é uma das coisas que eu luto muito”. Também acrescentou “A voz é quase como âncora … É o que ajuda a fixar na narrativa o que tu queres passar”.

Autores : Francisca do Carmo Coimbra, Pedro Gil Carrasqueira, Guilherme Vieira e Isabel Allen

 

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