Jornadas discutem lusofonia nos media XXX Jornadas da Comunicação 26 Março, 202626 Março, 2026 Professores e jornalistas falaram da representação dos países lusófonos no jornalismo. Concluíram que ainda há muito a fazer para mudar a ideia dos coitadinhos e da hegemonia da branquitude. Enquanto isso não se altera, imperam os estereótipos. estereótipos e o papel do jornalismo como espaço de narrativas contra-hegemónicas foram os temas centrais do último debate das Jornadas da Comunicação, que teve lugar na manhã de quinta-feira. Sobre o tema “Ecos entre mundos: a lusofonia na imprensa”, António Pinto Ribeiro, professor universitário, referiu que é muito crítico em relação ao termo “Lusofonia”, porque “é um termo neocolonial, que dá continuidade a uma certa representação colonial que prevalece.” “É um termo que temos de desconstruir. Estes problemas que existem na sociedade portuguesa resultam da dificuldade de ter expressão no espaço público.” Marisa Rodrigues, jornalista e diretora da Bantumen, tem a mesma perspetiva mas sublinha que “também não temos um termo melhor”. Jamila Pereira, jornalista da área cultural, falou sobre a importância de serem os próprios a falar sobre estas questões, pois são aqueles que têm maior legitimidade e um melhor entendimento dos assuntos. Para Sérgio Gadini, professor na Universidade Estatal de Ponta Grossa, no Brasil, considerou que o tema “é complexo e desafiante” reforçando que se trata de uma questão central no jornalismo nos dias atuais. É importante acabar com os estereótipos Sobre os estereótipos, António Pinto Ribeiro referiu que “a maioria da imprensa alimenta e repercute esses estereótipos.” As razões para isto acontecer são a falta de valor-notícia dos assuntos africanos e a reduzida proximidade física, pois com exceção da RTP, não existem canais televisivos portugueses com jornalistas ou correspondentes nos países lusófonos. Sérgio Gadini destacou a importância de acabar com estes estereótipos que podem não conseguir destruir estas narrativas, mas pelo menos não as reforçam. O professor referiu ainda que “temos de questionar quem é que detém estas plataformas” mediáticas. Hoje em dia é importante dar espaço a novas vozes como refere Jamila Pereira “Há uma falta de diversidade enorme. Mas depende de plataforma para plataforma. É preciso dar espaço a outras vozes”. Sobre este mesmo tema, Marisa Rodrigues, afirmou que “há sempre um viés, porque tu escreves a partir da tua realidade e daquilo que tu és. O importante é perceber como é que vamos contar a história (Sobre o caso Cláudia Simões) – Vamos dizer: “Uma mulher negra foi agredida por um polícia” ou “Um polícia agrediu uma mulher negra?”. Em relação à cobertura mediática, António Pinto Ribeiro destacou “o problema da branquitude” que coloca sempre limites à perceção da realidade e “o conflito entre identidade (como eu me represento) e a identificação (como os outros me veem), estando neste conflito a origem do racismo.” Marisa Rodrigues alertou também para o facto de este não ser “um problema novo. É bom trazermos a História para perceber como certos assuntos são continuados no tempo”. Segundo Marisa Rodrigues há dois tipos de narrativa, a dos “coitadinhos” e da “pobreza”. Refere que o assunto de Cabo Verde é abordado sempre da mesma maneira. “São pobres, mas são felizes”. Mas há um Cabo Verde diferente, com projetos e bons exemplos, só que “sobre isto não chega cá nada”, lamenta Marisa Rodrigues. António Pinto Ribeiro sublinhou, por fim, que há um aspeto que deve ser o ponto a discutir e que não é muito falado. “Independentemente deste trabalho que está a ser feito pela imprensa de referência, como os projetos na Bantumen e outros, não se trata só de desconstruirmos o colonialismo. Mas é questionar o que é que esta imprensa tem como expectativas em relação ao futuro e às lógicas liberais do mercado?” Autor: Bárbara Silva e Isabel AllenFotos: Isabel Allen Share on Facebook Share Share on TwitterTweet Share on Pinterest Share Share on LinkedIn Share