Masterclass na ESECS debate acolhimento e proteção de crianças e jovens

Histórias reais, marcadas por dor, abandono e superação, deram o tom a uma sessão que procurou despertar consciências para a realidade de muitas crianças e jovens em situação de risco. Entre testemunhos impactantes e momentos de reflexão, ficou evidente a urgência de compreender, proteger e acolher quem mais precisa.

Foi neste contexto que decorreu a masterclass “Olhares que transformam: Compreendendo e acolhendo crianças e jovens”, com a participação da psicóloga clínica Maria Batista, natural de Lamego.

A especialista começou por agradecer o convite ao Politécnico de Portalegre e destacou o simbolismo do mês de abril, questionando o público sobre o período em que se encontravam. Sublinhou tratar-se do “mês da prevenção”, assinalado pela Campanha do Laço Azul, iniciativa internacional de sensibilização para a prevenção dos maus-tratos na infância, sob o mote “Serei o que me deres… que seja amor”.

Maria Batista, que trabalha na Santa Casa da Misericórdia de Lamego desde 2005, instituição onde realizou também o seu estágio curricular, referiu ainda que o próprio dia 20 de abril marca o aniversário da fundação da entidade.

Ao longo da sessão, a psicóloga explicou o funcionamento das Casas de Acolhimento (CA), estruturas que podem acolher até 30 crianças e jovens do sexo feminino, com idades entre os 6 e os 18 anos, em situação de perigo e por períodos superiores a seis meses. Estas respostas sociais visam garantir proteção, bem-estar e desenvolvimento integral, assegurando direitos fundamentais como a educação e a estabilidade emocional.

Entre os principais objetivos das CA, destacou-se a construção de um Projeto de Vida individualizado para cada criança ou jovem, baseado numa avaliação detalhada das suas necessidades nas áreas da saúde, educação, desenvolvimento emocional e integração social e familiar.

A gestão de vagas nestas estruturas é da responsabilidade dos Centros Distritais da Segurança Social, no âmbito de um sistema centralizado. Foi também abordado o Plano CASA, protocolo entre o Ministério da Educação e o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, que pretende reforçar o acompanhamento escolar e promover a autonomização dos jovens em acolhimento.

Relativamente aos dados mais recentes, o Relatório CASA 2025 aponta para uma diminuição do número de crianças acolhidas, embora se registe um aumento das situações em famílias de acolhimento e apartamentos de autonomização. A duração média de permanência é de cerca de três anos. O relatório indica ainda que mais de 68% das crianças regressam à família, enquanto 17,2% são encaminhadas para adoção.

A sessão incluiu também testemunhos reais, entre os quais o caso de uma jovem vítima de abuso por parte de um adulto, com o consentimento dos pais, evidenciando situações extremas de negligência e violência. Este testemunho, apresentado sob a forma de carta, destacou o impacto emocional vivido e o percurso de superação da vítima.

No final, foram colocadas questões pelo público, nomeadamente sobre o encaminhamento de crianças quando as famílias biológicas ainda não reúnem condições para o seu regresso, debatendo-se a diferença entre casas de acolhimento e centros de acolhimento temporário.

A organização incentivou ainda os alunos a refletirem criticamente sobre estas problemáticas, especialmente à luz de casos recentes mediáticos, reforçando a importância da prevenção, intervenção e acompanhamento na proteção de crianças e jovens em risco.

  • Masterclass "Olhares que transformam: Compreendendo e Acolhendo Crianças e Jovens"
  • Auditório atento a masterclass de Maria Batista
  • Relato de testemunhos por parte do público

Autores: Francisca do Carmo Coimbra, Rúben Bastos e Rita Marreiros.

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