Luís Marcão, o homem que viu a Baja nascer Baja Portalegre - 40 anos Desporto 16 Outubro, 202616 Outubro, 2026 Em 1987, quando a Baja Portalegre arrancou, poucos imaginariam a dimensão que a prova viria a alcançar. O que começou como uma ideia para trazer o todo-o-terreno ao Alentejo transformou-se, ao longo de quatro décadas, num evento de referência nacional, com impacto na região e na vida de quem o acompanha. Luís Marcão faz parte dessa história desde o primeiro momento. É o único elemento do núcleo inicial da organização que continua ligado à prova. A origem da Baja Portalegre está associada a José Megre e Pedro Vilas-Boas, que participaram juntos no Rali Dakar. Depois de concluírem essa experiência, surgiu a ideia de criar em Portugal uma competição inspirada no todo-o-terreno, mas adaptada à realidade nacional. O Alentejo acabou por ser o cenário escolhido. “O José Megre lembrou-se de fazer uma prova, não com a dimensão toda do Dakar, mas uma réplica, digamos assim, aqui no Alentejo”, recorda Luís Marcão. A ideia começou a ganhar forma após um encontro entre José Megre e o governador civil de Portalegre, que demonstrou interesse em acolher a iniciativa. A partir daí, foram contactados alguns elementos ligados ao automobilismo local, dando início à formação da equipa responsável pela organização. Luís Marcão foi um dos últimos a ser convidado para integrar o projeto. O convite surgiu numa manhã em que alguns dos elementos já envolvidos apareceram à sua porta. A partir desse momento, juntou-se a um pequeno grupo de pessoas que, com diferentes responsabilidades, começou a preparar o que viria a ser a primeira edição da Baja Portalegre. “Criou-se aqui um núcleo de pessoas. Precisava-se da ajuda de uns para uma coisa, da ajuda de outros para outra”, recorda. A organização contou, desde o início, com o envolvimento do Clube Aventura, num trabalho que foi crescendo à medida que a prova ganhava dimensão. Em 1987, tudo era novidade: para os organizadores, para os participantes e até para muitos dos proprietários dos terrenos por onde passava o percurso. Organizar uma competição desta natureza, numa altura em que o conceito de todo-o-terreno competitivo ainda era pouco conhecido por muitas pessoas, trouxe dificuldades. Era necessário preparar percursos, assegurar condições logísticas e estabelecer contactos com os proprietários dos terrenos, além de tratar das verificações técnicas e documentais das viaturas. “Ninguém sabia praticamente o que era”, recorda Luís Marcão, referindo-se aos primeiros tempos da prova. As exigências eram diferentes das atuais. As verificações técnicas e administrativas eram menos rigorosas, mas a organização tinha de resolver problemas que hoje podem parecer simples e que, naquela altura, constituíam verdadeiros desafios. O percurso também sofreu alterações ao longo dos anos. Em 1989, a prova chegou a ter cerca de 500 quilómetros, sob a designação de Rali Maratona de Portalegre Finicisa. Mais tarde, a estrutura competitiva evoluiu para um formato baseado em setores seletivos. As limitações no acesso a determinados terrenos contribuíram para essa transformação. A presença de áreas protegidas, nomeadamente na Serra de São Mamede, e as restrições associadas à conservação da natureza, reduziram algumas das possibilidades de percurso inicialmente existentes. A organização teve, assim, de se adaptar às condições do território e às exigências que foram surgindo. Uma evolução que ajudou a moldar a prova que hoje se conhece. Se a organização foi essencial para o nascimento da Baja, o envolvimento local tornou-se uma das marcas da sua história. Desde as primeiras edições, a preparação da prova assentou numa rede de pessoas que disponibilizaram tempo, trabalho e conhecimento do território. Luís Marcão destaca a relação criada entre os organizadores, os proprietários dos terrenos e as forças de segurança. Mais do que uma equipa de trabalho, formou-se uma comunidade unida em torno de um objetivo comum. “Arranja-se aqui uma irmandade, vamos chamar-lhe assim, de pessoas”, afirma. Espectadores reúnem-se ao longo do percurso pra apoiar os pilotos Carro de rali cruza curso de água durante a provaJipe abre caminho pela água sobre o olhar atento do públicoCarro de rali cruza curso de água durante a provaTerreno enlameado interrompe provaJipe antigo demonstra a durabilidade no todo-o-terreno Autor: Dinis Carmona Share on Facebook Share Share on TwitterTweet Share on Pinterest Share Share on LinkedIn Share